Construir por conta própria: o barato que sai caro
78% das construções do país são feitas sem a ajuda de arquitetos ou engenheiros. O proprietário contrata apenas pedreiros e mestres de obras.
Uma pesquisa feita pela Associação Nacional dos Fabricantes de Materiais de Construção (Anamaco) com revendedores de todo o país mostra que a maior parte das construções do país é erguida sem acompanhamento profissional. Os projetos são desenhados pelo proprietário.
O desperdício é só uma das conseqüências dessa situação. “Mesmo um bom mestre de obras não sabe dimensionar as estruturas para garantir a segurança da construção”, alerta o arquiteto Gilberto Belleza, vice presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil.
“Para se certificar de que a casa não cairá, eles gastam muito mais concreto e ferro do que o necessário”, completa. A escolha errada de materiais também pode gerar prejuízo. “Às vezes as pessoas optam por itens muito caros, pensando em erguer casas eternas, mas esquecem que o uso do espaço não é imutável”, acredita o arquiteto Ubertello Bulgarini, de São Paulo.
Sem um projeto, não podemos orçar com precisão todos os serviços e as compras, planejar as instalações elétricas e hidráulicas e, se necessário, dividir a obra em etapas de acordo com o dinheiro disponível. Além disso, ele é um documento que funciona como memória da casa – se um dia ela for reformada, dá para saber por meio das plantas onde estão as tubulações, as vigas e as colunas.
“Muitas vezes o cliente não entende por que deve gastar num projeto antes de começar a obra”, diz o arquiteto Benno Perelmuter, de São Paulo. “Acontece que a economia só aparece quando a construção está em andamento”, conclui.O arquiteto paulista Enio Aronis chama a atenção ainda para os erros decorrentes do desconhecimento da legislação. Muitas construções que não levam em conta os recuos obrigatórios acabam sendo embargadas.
Ter um projeto meia-boca é tão arriscado quanto não ter projeto algum. Entenda-se pelo termo, aquela planta feita só para aprovação na prefeitura, uma espécie de lay-out sem cálculo estrutural, sem planejamento de elétrica e de hidráulica. “Você a leva para o empreiteiro, que pode fazer uma casa parecida com a do desenho. Mas sem os projetos específicos, ele não saberá executá-la bem e gastará mais do que o necessário”, diz o arquiteto Enio Aronis.
“Para construir sem prejuízo, é preciso ter uma receita de bolo”, diz ele. Ou seja, saber quanto vai gastar de tubos, de fios, de tijolos, de telhas... E, esse orçamento exato, só um profissional faz.
EXTRAÍDO DA REVISTA “ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO” DE AGOSTO/1999
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